Não vou lembrar exatamente quando, mas foi na segunda metade da década de 90 que isso começou.
Como um rinoceronte enfurecido, de cabeça baixa e certo de não ser detido por nada em seu caminho, surgiu um sentimento coletivo e cego de "busca pelos seus direitos".
Este é um termo que me provoca arrepios e nós nas tripas toda vez que ouço.
Veja bem, jamais serei contra o exercício dos direitos de quem quer que seja, mas, o que quase ninguém se lembra é que, ANTES dos direitos, vêm os DEVERES.
E é aí que a coisa fede...
Esta busca desenfreada, em geral, é conduzida sem esta preocupação. Normalmente esta atitude vem acompanhada de um "estou pagando" ou algo equivalente, que supostamente deveria isentar na íntegra a pessoa que se sente "prejudicada", da responsabilidade de respeitar as demais pessoas que se encontram na mesma situação ou no mesmo ambiente (filas, cinemas, restaurantes e estacionamentos são excelentes fontes de exemplos).
Existem também as pessoas que estão mais preocupadas em ter razão e "exigir seus direitos" do que com a sua própria integridade física, tal como a horda de pedestres suicidas que não tira os olhos de seus celulares e "se atiram" nas ruas e avenidas, só porque uma campanha mal-feita disse que o pedestre tem prioridade na travessia. E dane-se o fato que o pedestre, mesmo com a tal da preferência DEVE atravessar nas faixas, aguardar pelo semáforo (quando este existir) ou ainda a ingrata Física, que exige que os veículos precisem de um espaço mínimo para que possam frear sem atropelar o "gado-zumbi"!
Nem mesmo todas as legislações vigentes são capazes de se sobrepor às leis da Física e do bom-senso. Aparentemente, a "busca pelos direitos" tem mais valor ser for em oposição a estas leis. De preferência, em oposição às duas simultaneamente. O que importa é ter razão, nem que seja em um leito de hospital ou no cemitério. E aí entram em ação os advogados oportunistas, especialistas nestes "direitos" e nas respectivas "indenizações cabíveis"...
Pode parecer simples (e um tema recorrente neste blog), mas a origem disso tudo é a falta de interação com as pessoas ao lado e do pensamento coletivo. Simples assim.
Em outro post falo sobre o conhecimento cada vez mais "raso" da humanidade em função do mau uso e da facilidade de acesso à informação.
Vou dar um exemplo pessoal: quando o Código Nacional de Trânsito foi alterado, logo no começo do texto estava escrito "o direito de ir e vir é relativo". Pulei do sofá com um sonoro "Filhadaputa! Quem vocês pensam que são?". Logo em seguida veio a explicação: "por exemplo, não se pode alegar o direito de ir e vir para dirigir pela contra mão ou pelas calçadas". Sentei-me imediatamente e pensei (calado, claro): "é verdade... Mas isso é óbvio!".
Esta "busca pelos direitos", da maneira com o ocorre hoje em dia, segue o mesmo paradigma de um outro comportamento que também vem se propagando e se agravando de uns anos para cá: novas religiões/igrejas (algumas sérias e bem-intencionadas, mas boa parte nem tanto), são conduzidas por "líderes" que citam passagens bíblicas com livros, capítulos, versículos completamente aleatórios, com a certeza que ninguém irá verificar. E normalmente não vão mesmo, porque questionar a palavra do "líder" é uma blasfêmia!
A similaridade do "direito" com a "religião" (por favor, note as aspas) está em "pinçar" frases, passagens de livros sagrados, leis ou decretos, tirá-las do seu contexto original e usar isso para justificar algo (normalmente já injustificável desde o início).
Na minha opinião, trata-se pura e simplesmente de falta de caráter e/ou de maturidade. Exatamente como crianças sem limites que quase destroem a casa e sentem-se injustiçadas se são postas de castigo por isso. São pessoas que exigem ser tratadas como adultos, mas comportam-se como crianças mimadas e não admitem serem orientadas ou repreendidas. Não são capazes de relacionar o efeito à causa.
De maneira bem direta:
Quer receber aposentadoria? Contribua com a previdência (pública e/ou privada)!
Quer andar de carro? Ponha gasolina e mantenha o carro e a documentação em dia!
Quer ver um filme no cinema? Compre o ingresso e respeite as demais pessoas do local!
Vai atravessar a rua? Atravesse NA FAIXA, ESPERE o semáforo abrir (se houver um) e olhe PARA OS DOIS LADOS AAANTEEES de pisar na pista!
Posso passar dias aqui colocando outros exemplos, mas em todos eles teremos algo em comum: os DEVERES sempre vêm ANTES dos direitos. É necessário criar um "crédito" para poder "usá-lo" depois, senão a coisa não funciona, não se sustenta.
Então bicho, antes de levantar faixas e cartazes com palavras de ordem, seja honesto consigo mesmo (porque eu mesmo não vou dar a mínima, a não ser que seja diretamente afetado) e certifique-se de ter exercido seus deveres antes de exigir seus direitos. Ou não reclame se for repreendido(a) ou receber um tratamento adequado a crianças mimadas.
E cuidado com os "rinocerontes enfurecidos"! Hehehehe...
Entao, bicho...
Esse blog nasceu (originalmente com outro nome) com a finalidade de discursar e (eventualmente) debater sobre as peculiaridades da convivência em sociedade. Entao, bicho... Senta aí, pega uma bebida e vamos ver como a banda toca!
sábado, 14 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Rápido, Bonito ou Barato
Estava fazendo uma "limpa" para arrumar espaço para alguns livros e me deparei com estas preciosidades da foto.
Confesso que fiz uma viagem no tempo e, deste acervo, o que me deixou mais saudoso foram "Clipper 5.2d" e o "Norton Guide".
Todos foram devidamente copiados há alguns anos, mas mantive os disquetes pelo seu valor sentimental. Como não consigo imaginar sequer a possibilidade de encontrar um leitor de disquetes, seus "corpos" serão "doados" para estudos da balística do tiro com arco. Até tenho um disk-drive na minha caixa de "sucata tecnológica", mas duvido que funcione...
Mas uma coisa que me veio à cabeça neste "encontro inesperado", foi a evolução tecnológica que houve de lá para cá. Programávamos no bom e velho DOS, que nos permitia apenas uma tela de texto (eventualmente colorida) com 80 colunas e 25 linhas, 640Mb (Megabytes e não Gigabytes) de memória e, se você fosse (ou conhecesse) um programador experiente, poderia usar a memória "alta", que dava mais algus Mb para uso, mas só através de configurações muito específicas do DOS e algumas "malandragens" no código.
Não crianças, o DOS não é aquela telinha preta dentro do Windows, era um Sistema Operacional de verdade e o Windows era "somente" uma interface gráfica que rodava sobre o DOS para tornar o uso dos computadores mais acessível às pessoas "leigas" naquela época.
Por conta disso (pessoas leigas daquela época), estou partindo da premissa que pouca gente entendeu os dois parágrafos anteriores, hehehehe...
Depois de toda esta "viagem no tempo", minha reflexão foi justamente esta: hoje em dia, mesmo pessoas da área de TI, mais especificamente "programadores" (já já vocês vão entender as aspas), também não fazem idéia do que estou falando!
Naquela época, não tínhamos Internet, muito menos o Google. O mais próximo disso, eram as BBS's (Bulletin Board System), que funcionava mais ou menos como os fóruns de hoje: você coloca uma pergunta lá e verifica de tempos em tempos se alguém respondeu. A resposta mais comum era "estou com o mesmo problema", hehehehe...
Eram tempos de conexão discada, havia a necessidade de assinaturas de pacotes de serviços, acessos, quotas de navegação e, claro, a conta do telefone, que era o preço de uma ligação normal e que te mantinha com a linha ocupada. Ou seja, a verificação "de tempos em tempos" não era tão frequente assim...
Os desafios eram superados única e exclusivamente com conhecimento profundo das linguagens de programação disponíveis na época e a criatividade/malandragem dos programadores. E só! Era fácil separar os homens dos meninos, hehehehe...
Hoje está tudo bem mais simples. Basta colocar uma mensagem de erro no Google que recebemos milhares de respostas e em alguma delas (normalmente já na primeira página) está o detalhamento do que está acontecendo, das causas e um código de exemplo da solução.
Veja bem, não estou dizendo que isto é ruim, muito menos que não deveria ser assim, entretanto, com a inclusão digital, todo o conhecimento humano está ficando mais acessível (como deveria ser) e isto sim gera algumas preocupações. Pelo menos pra mim...
Quantas pessoas não recorrem ao YouTube para procurar instruções sobre coisas que não dominam, tais como trocar uma lâmpada da lanterna do carro ou as pastilhas de freio de uma moto? Eu mesmo fiz isso no fim do ano passado porque queria uma receita de atum com crosta de gergelim. E saiu! Confesso que o sabor ficou melhor que o aspecto, mas saiu. Como um chimpanzé treinado, segui as instruções cegamente e "deu certo" (com alguns ajustes).
E é justamente este o problema! O fato de que o conhecimento está mais acessível está solidificando uma cultura em que é mais fácil perguntar milhares de vezes do que "perder tempo" aprendendo o conceito e se aprofundando no contexto. Não há problema algum, se estivermos falando de hobbies ou simples curiosidade, mas a coisa fica grave quando falamos em profissionais que, supostamente, deveriam conhecer suas áreas de atuação. É necessário se aprofundar no assunto, no mínimo para saber se aquela informação está correta ou não! Qualquer um com um celular pode gravar um vídeo e postar aquilo como verdade absoluta hoje em dia.
Quem convive comigo sabe que faço algumas comparações extremas, para ilustrar até onde a situação pode ir. Imagine que você caia da bicicleta e, por uma eventualidade pra lá de imprevista, você sofra um tipo muito bizarro de torção ou fratura. Por ser uma situação "inédita" para o seu médico, ele procura algo parecido no YouTube e decide que tem que operar o seu tornozelo com um notebook e uma enfermeira a mais, só para dar pausa ou voltar o vídeo enquanto você está sob o efeito da anestesia na mesa de cirurgia, porque ele nunca viu uma torção dessas antes...
E aí? A solução continua sendo válida?
Vou voltar a falar de programação, mas o conceito serve para todos os aspectos da vida na Terra: se um programador "de hoje" precisa pintar uma letra "B" de azul na tela, ele vai procurar no Google como pintar a letra "B" de azul, vai encontrar um código de exemplo, vai copiá-lo e colá-lo no programa e rodar uma vez. Se funcionar de primeira, "deu certo" e não se fala mais nisso. Se não funcionar, ele vai procurar outro código e assim sucessivamente até encontrar um que funcione.
Um programador mais experiente (não vou escrever, mas pensei "mais velho", hehehehe), vai procurar como pintar uma letra "B" de azul na tela. Vai estudar o conceito e vai desenvolver uma rotina que "saiba" pintar a letra que ele quiser, da cor que quiser, sob as condições que quiser e ainda irá fazê-lo de um jeito que novas melhorias possam ser facilmente implementadas, como a letra poder piscar ou mudar de tamanho, por exemplo. Sim, EU faço desse jeito.
[disclaimer ON]
Sim, estou generalizando! Conheço programadores com pouco mais da metade da minha idade e escrevem programas que me deixam de queixo caído de tão sofisticados. Mas são a exceção que confirma a regra.
[disclaimer OFF]
Esta diferença de abordagem pode ser motivada por chavões como: "o ótimo é inimigo do bom" ou "temos que mostrar agilidade". Na minha opinião, não se justifica.
Seja do programador em não querer se aprofundar porque "o código do Google funcionou", alguma orientação "de cima pra baixo" onde a solução "tem" que ser rápida e não necessariamente estruturada e o decisor não está preocupado com o esforço necessário para arrumar esta gambiarra (ou "workaround" como alguns preferem dizer) mais tarde, caso a solução tenha que sofrer alguma variação. Ou simplesmente deu alguma merda e é preciso apagar o incêndio. Neste úlitimo caso, esta orientação vem acompanhada de uma promessa de "revisar isso depois que a coisa se acalmar". Eu mesmo já fiz esta promessa, mas me certifiquei de voltar lá e refazer o ajuste.
Todo mundo diz "antigamente as coisas eram feitas para durar, hoje é tudo descartável" (eu inclusive), mas a verdade por trás desta frase é que a nossa sociedade está preferindo o caminho mais curto e "se der algum problema, depois vê".
Tenho certeza que ocorre o mesmo em outras áreas do conhecimento, segmentos de mercado ou aspectos pessoais. Então, na minha opinião, isto mostra uma tendência de comportamento que irá se acentuar nos próximos anos.
A informação não pode ser mais valiosa que o conhecimento. Simplesmente porque desta forma, perde-se a capacidade de flexibilização, de improviso, de evolução. Não estou dizendo que isto deirxará de existir, mas é a mesma coisa que colocar rojões em um par de patins e chamar isso de propulsão à jato. Para se alterar algo que já existe, é de bom tom dominar o(s) assunto(s) em questão. E querer evoluir por "tentativa e erro" sem dominar o assunto, pode trazer consequências drásticas. Em alguns casos, TOMARA! Hehehehehe...
Estranhamente, as mesmas pessoas que defendem este estilo de vida imediatista são as que fazem ultrapassagem pelo acostamento mas reclamam do trânsito e das multas, jogam lixo nas ruas mas reclamam das enchentes, não abrem mão de lavar o carro em casa toda semana e/ou empurram papel de bala da calçada com a mangueira de água mas reclamam da escassez depois. E, por serem imediatistas, não vêem relação alguma entre a causa e o efeito.
Ou seja, além do conhecimento e da capacidade de analisar cenários e tirar conclusões, a educação e a capacidade de convivência em sociedade também estão se perdendo. E isto me parece ser uma escolha, até certo ponto, consciente.
Então bicho, é como digo quase diariamente no meu departamento:
- Rápido
- Bonito
- Barato
Escolha só DOIS e não reclame mais tarde!
PS: foi mal, não era pra ter ficado tão longo, mas os disquetes me deram muito no que pensar, hehehehe...
Confesso que fiz uma viagem no tempo e, deste acervo, o que me deixou mais saudoso foram "Clipper 5.2d" e o "Norton Guide".
Todos foram devidamente copiados há alguns anos, mas mantive os disquetes pelo seu valor sentimental. Como não consigo imaginar sequer a possibilidade de encontrar um leitor de disquetes, seus "corpos" serão "doados" para estudos da balística do tiro com arco. Até tenho um disk-drive na minha caixa de "sucata tecnológica", mas duvido que funcione...
Mas uma coisa que me veio à cabeça neste "encontro inesperado", foi a evolução tecnológica que houve de lá para cá. Programávamos no bom e velho DOS, que nos permitia apenas uma tela de texto (eventualmente colorida) com 80 colunas e 25 linhas, 640Mb (Megabytes e não Gigabytes) de memória e, se você fosse (ou conhecesse) um programador experiente, poderia usar a memória "alta", que dava mais algus Mb para uso, mas só através de configurações muito específicas do DOS e algumas "malandragens" no código.
Não crianças, o DOS não é aquela telinha preta dentro do Windows, era um Sistema Operacional de verdade e o Windows era "somente" uma interface gráfica que rodava sobre o DOS para tornar o uso dos computadores mais acessível às pessoas "leigas" naquela época.
Por conta disso (pessoas leigas daquela época), estou partindo da premissa que pouca gente entendeu os dois parágrafos anteriores, hehehehe...
Depois de toda esta "viagem no tempo", minha reflexão foi justamente esta: hoje em dia, mesmo pessoas da área de TI, mais especificamente "programadores" (já já vocês vão entender as aspas), também não fazem idéia do que estou falando!
Naquela época, não tínhamos Internet, muito menos o Google. O mais próximo disso, eram as BBS's (Bulletin Board System), que funcionava mais ou menos como os fóruns de hoje: você coloca uma pergunta lá e verifica de tempos em tempos se alguém respondeu. A resposta mais comum era "estou com o mesmo problema", hehehehe...
Eram tempos de conexão discada, havia a necessidade de assinaturas de pacotes de serviços, acessos, quotas de navegação e, claro, a conta do telefone, que era o preço de uma ligação normal e que te mantinha com a linha ocupada. Ou seja, a verificação "de tempos em tempos" não era tão frequente assim...
Os desafios eram superados única e exclusivamente com conhecimento profundo das linguagens de programação disponíveis na época e a criatividade/malandragem dos programadores. E só! Era fácil separar os homens dos meninos, hehehehe...
Hoje está tudo bem mais simples. Basta colocar uma mensagem de erro no Google que recebemos milhares de respostas e em alguma delas (normalmente já na primeira página) está o detalhamento do que está acontecendo, das causas e um código de exemplo da solução.
Veja bem, não estou dizendo que isto é ruim, muito menos que não deveria ser assim, entretanto, com a inclusão digital, todo o conhecimento humano está ficando mais acessível (como deveria ser) e isto sim gera algumas preocupações. Pelo menos pra mim...
Quantas pessoas não recorrem ao YouTube para procurar instruções sobre coisas que não dominam, tais como trocar uma lâmpada da lanterna do carro ou as pastilhas de freio de uma moto? Eu mesmo fiz isso no fim do ano passado porque queria uma receita de atum com crosta de gergelim. E saiu! Confesso que o sabor ficou melhor que o aspecto, mas saiu. Como um chimpanzé treinado, segui as instruções cegamente e "deu certo" (com alguns ajustes).
E é justamente este o problema! O fato de que o conhecimento está mais acessível está solidificando uma cultura em que é mais fácil perguntar milhares de vezes do que "perder tempo" aprendendo o conceito e se aprofundando no contexto. Não há problema algum, se estivermos falando de hobbies ou simples curiosidade, mas a coisa fica grave quando falamos em profissionais que, supostamente, deveriam conhecer suas áreas de atuação. É necessário se aprofundar no assunto, no mínimo para saber se aquela informação está correta ou não! Qualquer um com um celular pode gravar um vídeo e postar aquilo como verdade absoluta hoje em dia.
Quem convive comigo sabe que faço algumas comparações extremas, para ilustrar até onde a situação pode ir. Imagine que você caia da bicicleta e, por uma eventualidade pra lá de imprevista, você sofra um tipo muito bizarro de torção ou fratura. Por ser uma situação "inédita" para o seu médico, ele procura algo parecido no YouTube e decide que tem que operar o seu tornozelo com um notebook e uma enfermeira a mais, só para dar pausa ou voltar o vídeo enquanto você está sob o efeito da anestesia na mesa de cirurgia, porque ele nunca viu uma torção dessas antes...
E aí? A solução continua sendo válida?
Vou voltar a falar de programação, mas o conceito serve para todos os aspectos da vida na Terra: se um programador "de hoje" precisa pintar uma letra "B" de azul na tela, ele vai procurar no Google como pintar a letra "B" de azul, vai encontrar um código de exemplo, vai copiá-lo e colá-lo no programa e rodar uma vez. Se funcionar de primeira, "deu certo" e não se fala mais nisso. Se não funcionar, ele vai procurar outro código e assim sucessivamente até encontrar um que funcione.
Um programador mais experiente (não vou escrever, mas pensei "mais velho", hehehehe), vai procurar como pintar uma letra "B" de azul na tela. Vai estudar o conceito e vai desenvolver uma rotina que "saiba" pintar a letra que ele quiser, da cor que quiser, sob as condições que quiser e ainda irá fazê-lo de um jeito que novas melhorias possam ser facilmente implementadas, como a letra poder piscar ou mudar de tamanho, por exemplo. Sim, EU faço desse jeito.
[disclaimer ON]
Sim, estou generalizando! Conheço programadores com pouco mais da metade da minha idade e escrevem programas que me deixam de queixo caído de tão sofisticados. Mas são a exceção que confirma a regra.
[disclaimer OFF]
Esta diferença de abordagem pode ser motivada por chavões como: "o ótimo é inimigo do bom" ou "temos que mostrar agilidade". Na minha opinião, não se justifica.
Seja do programador em não querer se aprofundar porque "o código do Google funcionou", alguma orientação "de cima pra baixo" onde a solução "tem" que ser rápida e não necessariamente estruturada e o decisor não está preocupado com o esforço necessário para arrumar esta gambiarra (ou "workaround" como alguns preferem dizer) mais tarde, caso a solução tenha que sofrer alguma variação. Ou simplesmente deu alguma merda e é preciso apagar o incêndio. Neste úlitimo caso, esta orientação vem acompanhada de uma promessa de "revisar isso depois que a coisa se acalmar". Eu mesmo já fiz esta promessa, mas me certifiquei de voltar lá e refazer o ajuste.
Todo mundo diz "antigamente as coisas eram feitas para durar, hoje é tudo descartável" (eu inclusive), mas a verdade por trás desta frase é que a nossa sociedade está preferindo o caminho mais curto e "se der algum problema, depois vê".
Tenho certeza que ocorre o mesmo em outras áreas do conhecimento, segmentos de mercado ou aspectos pessoais. Então, na minha opinião, isto mostra uma tendência de comportamento que irá se acentuar nos próximos anos.
A informação não pode ser mais valiosa que o conhecimento. Simplesmente porque desta forma, perde-se a capacidade de flexibilização, de improviso, de evolução. Não estou dizendo que isto deirxará de existir, mas é a mesma coisa que colocar rojões em um par de patins e chamar isso de propulsão à jato. Para se alterar algo que já existe, é de bom tom dominar o(s) assunto(s) em questão. E querer evoluir por "tentativa e erro" sem dominar o assunto, pode trazer consequências drásticas. Em alguns casos, TOMARA! Hehehehehe...
Estranhamente, as mesmas pessoas que defendem este estilo de vida imediatista são as que fazem ultrapassagem pelo acostamento mas reclamam do trânsito e das multas, jogam lixo nas ruas mas reclamam das enchentes, não abrem mão de lavar o carro em casa toda semana e/ou empurram papel de bala da calçada com a mangueira de água mas reclamam da escassez depois. E, por serem imediatistas, não vêem relação alguma entre a causa e o efeito.
Ou seja, além do conhecimento e da capacidade de analisar cenários e tirar conclusões, a educação e a capacidade de convivência em sociedade também estão se perdendo. E isto me parece ser uma escolha, até certo ponto, consciente.
Então bicho, é como digo quase diariamente no meu departamento:
- Rápido
- Bonito
- Barato
Escolha só DOIS e não reclame mais tarde!
PS: foi mal, não era pra ter ficado tão longo, mas os disquetes me deram muito no que pensar, hehehehe...
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Pois é...
Moro em um apartamento de um dormitório, em um prédio de 13 andares, com 4 apartamentos por andar em um bairro relativamente tranquilo da Zona Sul de São Paulo. Já fui síndico aqui por 8 anos consecutivos (as pessoas fazem coisas estranhas, hehehehe). Devido às características dos apartamentos, temos muita rotatividade de moradores (cerca de 1/3 não fica mais que um ano).
Bão, por que estou contando isso?
Porque com um prédio com alta rotatividade, é mais comum ter o tipo de gente que está pouco se fudendo para os vizinhos. Gente que estaciona de qualquer jeito na garagem (que é o nervo exposto de qualquer prédio), não respeita horário para usar furadeira, martelo, som alto, sapato de salto, brincar com cachorro e criança, falar alto ao telefone com a cabeça pra fora da janela do quarto... E por aí vai...
Inclusive, neste exato momento (31/12/2014 08:40 da manhã), tem um puto desses, frenético, com um martelo que eu adoraria arrancar das mãos dele e pregar as respectivas bolas na porta do banheiro. Sem separar um do outro, claro! Ok, as bolas foi um certo exagero. Um tornozelo e um pulso me satisfariam plenamente, huhuhuahahahaha...
E a pergunta se repete: por que estou contando isso?
Porque em um prédio com 52 apartamentos, os primeiros que a gente lembra quando perguntam "como é o prédio onde você mora?" são justamente os destes putinhos!
E...?
E, mocinhas e marmanjos, é assim que tratamos todo o restante da vida.
Fazendo um balanço de 2014 enquanto tomava banho, cheguei a uma conclusão muito interessante: tô muito puto com algumas pessoas e um monte de coisas que aconteceram neste ano, mas fazendo de conta que sou um monge budista (posso até ser em um universo paralelo!), porra! O que "sobrou" foi do caralho! Conheci pessoas muuuito bacanas, visitei lugares que me arrancam sorrisos e suspiros até agora, aprendi muita coisa muito bacana relacionadas a cultura, trabalho, hobbies e pontos de vista, fui promovido, finalmente contei pra minha família que tenho moto (puta segredo desgastante esse, viu?), hahahahaha...
Então bicho, sei que os vizinhos mais "marcantes" são os que mais irritam, os que mais nos cansam e os que até nos fazem crer que certas "provocações" são de propósito ou algo pessoal (e talvez até o sejam mesmo, mas isso é pauta pra outro post). Mas foda-se esse bando de puto! Eles têm as próprias "pendências" pra resolver, os próprios karmas para lidar, as próprias neuroses para elaborar.
Minha "retrospectiva" de 2014 e meu convite à reflexão são um paralelo entre o ano que termina e o prédio onde moro.
Não é justo falar que um lugar é "ruim" tendo como referência 4 "privadas entupidas" num canto de um parque grande, gostoso e cheio de gente bonita num dia lindo de sol. Fiquemos felizes por poder aproveitar o dia de sol no parque e fodam-se as "privadas entupidas"!
Então, bicho... Tudo depende do ponto de referência. Vamos rever os nossos.
Feliz 2015!
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Deixa a esquerda livre!
As pessoas que possuem habilitação para dirigir (também conhecida como CNH), é possivel que não se lembrem e também não sei se isto caiu em desuso, mas eu e todas as pessoas que receberam as suas respectivas habilitações no mesmo dia, fizemos um juramento (daqueles em que se levanta a mão direita, invariavelmente começa com "eu juro..." e seguimos repetindo o que nos dizem).
Neste juramento, uma das coisas que se diz (além do óbvio, que é jurar respeitar o código nacional de trânsito) é deixar a esquerda livre. E é aí que a coisa começa a feder...
Isto se divide, na minha opinião, em duas "vias principais":
1. Ainda ligada ao trânsito: Alguns motoristas "entram em coma" na pista da esquerda e quando finalmente percebem que tem alguém atrás sinalizando para pedir passagem, reagem com o clássico "mas eu estou dentro do limite de velocidade". Isso quando nao freiam "só para dar um susto no apressadinho".
FODA-SE! Você também pode andar dentro do limite nas outras pistas!
A razão para se ultrapassar SEMPRE pela equerda é o fato de, seja para entar em um posto, parar no acostamento durante uma pane ou porque você viu um unicórnio azul tomando sorvete de casquinha e quer fazer uma selfie com ele, saímos SEMPRE PARA A DIREITA.
Você NÃO SABE se o "apressadinho" quer testar o carro novo, se é apenas um estúpido inconsequente ou se está passando por algum tipo de emergência, como alguém ferido ou doente no carro.
[sarcasmo ON]
Como infalivelmente todos somos capazes de ler mentes (mas não de ligar a porra da seta ou olhar no espelho retrovisor), se tem alguém "dormindo" na pista da esquerda (em geral, abaixo do limite de velocidade) e somos obrigados a ultrapassar pela direita, nada pode dar errado, não é?
[sarcasmo OFF]
2. Pedestres: Me enquadro nesta categoria em 95% dos meus deslocamentos pela cidade, então posso falar a respeito com bastante propriedade. O que foi dito acima se aplica aqui e com alguns agravantes. O principal deles é o celular, cujas "capinhas" são vendidas com algum adesivo muito forte e que gera algum tipo de irritação na pele ou alucinação, porque a maioria das pessoas não consegue largar e nem deixar de olhar o celular enquanto andam (ou dirigem), mas isso fica para outro post.
O Metrô de São Paulo fez, há cerca de um ano, se não me engano, uma campanha muito bacana onde pessoas fantasiadas ficavam com apitos, cartazes dançando e repetindo "deixa a esquerda livre". Funcionou lindamente! Durante dois dias...
Para quem tem um olhar mais aguçado, muitas coisas engraçadas, curiosas e, claro, irritantes são consequencia disso. Aliás, o Metrô é uma fonte inesgotável de "cases" onde a falta de percepção ou simplesmente descaso com o que está acontecendo ao redor gera multiplos desdobramentos e "deadlocks" em cascata.
Bom, estou começando a perder o rumo aqui...
O ponto é, a pé, de carro, bicicleta, disco-voador, deixe a esquerda livre!
Não é o lado da parede, não é a mão do relógio, é o lado esquerdo! Por que isso? Porque alguém sempre vai andar mais rápido que você. Se alguém estiver mais devagar, passe pela esquerda e VOLTE para a direita.
Se todos pensarem e agirem assim, você vai ter a esquerda livre para passar QUANDO PRECISAR. E faça a cortesia de deixar livre para outras pessoas.
Se todos andarem pela direita, ninguém vai precisar desviar ou dar de cara com você em uma calçada, seja ela larga ou estreita. Se funciona para os carros (que "nasceram" depois da nossa espécie), também vai funcionar para nós.
Entao bicho, "deixa a esquerda livre! deixa a esquerda livre! deixa a esquerda livre!"
Neste juramento, uma das coisas que se diz (além do óbvio, que é jurar respeitar o código nacional de trânsito) é deixar a esquerda livre. E é aí que a coisa começa a feder...
Isto se divide, na minha opinião, em duas "vias principais":
1. Ainda ligada ao trânsito: Alguns motoristas "entram em coma" na pista da esquerda e quando finalmente percebem que tem alguém atrás sinalizando para pedir passagem, reagem com o clássico "mas eu estou dentro do limite de velocidade". Isso quando nao freiam "só para dar um susto no apressadinho".
FODA-SE! Você também pode andar dentro do limite nas outras pistas!
A razão para se ultrapassar SEMPRE pela equerda é o fato de, seja para entar em um posto, parar no acostamento durante uma pane ou porque você viu um unicórnio azul tomando sorvete de casquinha e quer fazer uma selfie com ele, saímos SEMPRE PARA A DIREITA.
Você NÃO SABE se o "apressadinho" quer testar o carro novo, se é apenas um estúpido inconsequente ou se está passando por algum tipo de emergência, como alguém ferido ou doente no carro.
[sarcasmo ON]
Como infalivelmente todos somos capazes de ler mentes (mas não de ligar a porra da seta ou olhar no espelho retrovisor), se tem alguém "dormindo" na pista da esquerda (em geral, abaixo do limite de velocidade) e somos obrigados a ultrapassar pela direita, nada pode dar errado, não é?
[sarcasmo OFF]
2. Pedestres: Me enquadro nesta categoria em 95% dos meus deslocamentos pela cidade, então posso falar a respeito com bastante propriedade. O que foi dito acima se aplica aqui e com alguns agravantes. O principal deles é o celular, cujas "capinhas" são vendidas com algum adesivo muito forte e que gera algum tipo de irritação na pele ou alucinação, porque a maioria das pessoas não consegue largar e nem deixar de olhar o celular enquanto andam (ou dirigem), mas isso fica para outro post.
O Metrô de São Paulo fez, há cerca de um ano, se não me engano, uma campanha muito bacana onde pessoas fantasiadas ficavam com apitos, cartazes dançando e repetindo "deixa a esquerda livre". Funcionou lindamente! Durante dois dias...
Para quem tem um olhar mais aguçado, muitas coisas engraçadas, curiosas e, claro, irritantes são consequencia disso. Aliás, o Metrô é uma fonte inesgotável de "cases" onde a falta de percepção ou simplesmente descaso com o que está acontecendo ao redor gera multiplos desdobramentos e "deadlocks" em cascata.
Bom, estou começando a perder o rumo aqui...
O ponto é, a pé, de carro, bicicleta, disco-voador, deixe a esquerda livre!
Não é o lado da parede, não é a mão do relógio, é o lado esquerdo! Por que isso? Porque alguém sempre vai andar mais rápido que você. Se alguém estiver mais devagar, passe pela esquerda e VOLTE para a direita.
Se todos pensarem e agirem assim, você vai ter a esquerda livre para passar QUANDO PRECISAR. E faça a cortesia de deixar livre para outras pessoas.
Se todos andarem pela direita, ninguém vai precisar desviar ou dar de cara com você em uma calçada, seja ela larga ou estreita. Se funciona para os carros (que "nasceram" depois da nossa espécie), também vai funcionar para nós.
Entao bicho, "deixa a esquerda livre! deixa a esquerda livre! deixa a esquerda livre!"
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Premissas
Bao, antes de mais nada, vamos esclarecer algumas coisas aqui (sim, isto é um "disclaimer")...
Aviso 1: pessoas sensiveis e com dificuldade de interpretacao de textos ficarao ofendidas com muita coisa aqui. Garanto!
Aviso 2: tenho baixa tolerancia a argumentacoes tendenciosas, circulares ou polarizadas. Isto posto, reservo-me o direito de excluir comentarios que se enquadrem nestas categorias sem previo aviso ou justificativa.
A intencao aqui nao é fazer apologia a coisa nenhuma! Apenas expor alguns pontos de vista e explorar o assunto.
Por exemplo: se em uma roda de 5 pessoas, 3 usando camisetas brancas e 2 usando camisetas azuis, 2 das 3 pessoas de camisetas brancas ficarem cutucando o nariz, vou colocar aqui que 2/3 das pessoas que usam camisetas brancas, quando estiverem perto de pessoas com camisetas azuis, possuem a tendencia a enfiar o dedo no nariz. Simples assim!
As opinioes e os posts aqui publicados se baseiam unica e exclusivamente na minha opiniao pessoal sobre o que vejo e, interpretadas atraves da minha limitada visao do todo mas que, dentro do meu restrito universo, fazem algum sentido.
Ou seja, sei que estou ignorando o todo e nao possuo nenhum fundamento cientifico ou comportamental para suportar meus posts portanto, em caso de duvida, leia o paragrafo anterior quantas vezes for necessario.
Entao bicho, vamos la!
Pegue uma bebida e divirta-se!
Aviso 1: pessoas sensiveis e com dificuldade de interpretacao de textos ficarao ofendidas com muita coisa aqui. Garanto!
Aviso 2: tenho baixa tolerancia a argumentacoes tendenciosas, circulares ou polarizadas. Isto posto, reservo-me o direito de excluir comentarios que se enquadrem nestas categorias sem previo aviso ou justificativa.
A intencao aqui nao é fazer apologia a coisa nenhuma! Apenas expor alguns pontos de vista e explorar o assunto.
Por exemplo: se em uma roda de 5 pessoas, 3 usando camisetas brancas e 2 usando camisetas azuis, 2 das 3 pessoas de camisetas brancas ficarem cutucando o nariz, vou colocar aqui que 2/3 das pessoas que usam camisetas brancas, quando estiverem perto de pessoas com camisetas azuis, possuem a tendencia a enfiar o dedo no nariz. Simples assim!
As opinioes e os posts aqui publicados se baseiam unica e exclusivamente na minha opiniao pessoal sobre o que vejo e, interpretadas atraves da minha limitada visao do todo mas que, dentro do meu restrito universo, fazem algum sentido.
Ou seja, sei que estou ignorando o todo e nao possuo nenhum fundamento cientifico ou comportamental para suportar meus posts portanto, em caso de duvida, leia o paragrafo anterior quantas vezes for necessario.
Entao bicho, vamos la!
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