Não vou lembrar exatamente quando, mas foi na segunda metade da década de 90 que isso começou.
Como um rinoceronte enfurecido, de cabeça baixa e certo de não ser detido por nada em seu caminho, surgiu um sentimento coletivo e cego de "busca pelos seus direitos".
Este é um termo que me provoca arrepios e nós nas tripas toda vez que ouço.
Veja bem, jamais serei contra o exercício dos direitos de quem quer que seja, mas, o que quase ninguém se lembra é que, ANTES dos direitos, vêm os DEVERES.
E é aí que a coisa fede...
Esta busca desenfreada, em geral, é conduzida sem esta preocupação. Normalmente esta atitude vem acompanhada de um "estou pagando" ou algo equivalente, que supostamente deveria isentar na íntegra a pessoa que se sente "prejudicada", da responsabilidade de respeitar as demais pessoas que se encontram na mesma situação ou no mesmo ambiente (filas, cinemas, restaurantes e estacionamentos são excelentes fontes de exemplos).
Existem também as pessoas que estão mais preocupadas em ter razão e "exigir seus direitos" do que com a sua própria integridade física, tal como a horda de pedestres suicidas que não tira os olhos de seus celulares e "se atiram" nas ruas e avenidas, só porque uma campanha mal-feita disse que o pedestre tem prioridade na travessia. E dane-se o fato que o pedestre, mesmo com a tal da preferência DEVE atravessar nas faixas, aguardar pelo semáforo (quando este existir) ou ainda a ingrata Física, que exige que os veículos precisem de um espaço mínimo para que possam frear sem atropelar o "gado-zumbi"!
Nem mesmo todas as legislações vigentes são capazes de se sobrepor às leis da Física e do bom-senso. Aparentemente, a "busca pelos direitos" tem mais valor ser for em oposição a estas leis. De preferência, em oposição às duas simultaneamente. O que importa é ter razão, nem que seja em um leito de hospital ou no cemitério. E aí entram em ação os advogados oportunistas, especialistas nestes "direitos" e nas respectivas "indenizações cabíveis"...
Pode parecer simples (e um tema recorrente neste blog), mas a origem disso tudo é a falta de interação com as pessoas ao lado e do pensamento coletivo. Simples assim.
Em outro post falo sobre o conhecimento cada vez mais "raso" da humanidade em função do mau uso e da facilidade de acesso à informação.
Vou dar um exemplo pessoal: quando o Código Nacional de Trânsito foi alterado, logo no começo do texto estava escrito "o direito de ir e vir é relativo". Pulei do sofá com um sonoro "Filhadaputa! Quem vocês pensam que são?". Logo em seguida veio a explicação: "por exemplo, não se pode alegar o direito de ir e vir para dirigir pela contra mão ou pelas calçadas". Sentei-me imediatamente e pensei (calado, claro): "é verdade... Mas isso é óbvio!".
Esta "busca pelos direitos", da maneira com o ocorre hoje em dia, segue o mesmo paradigma de um outro comportamento que também vem se propagando e se agravando de uns anos para cá: novas religiões/igrejas (algumas sérias e bem-intencionadas, mas boa parte nem tanto), são conduzidas por "líderes" que citam passagens bíblicas com livros, capítulos, versículos completamente aleatórios, com a certeza que ninguém irá verificar. E normalmente não vão mesmo, porque questionar a palavra do "líder" é uma blasfêmia!
A similaridade do "direito" com a "religião" (por favor, note as aspas) está em "pinçar" frases, passagens de livros sagrados, leis ou decretos, tirá-las do seu contexto original e usar isso para justificar algo (normalmente já injustificável desde o início).
Na minha opinião, trata-se pura e simplesmente de falta de caráter e/ou de maturidade. Exatamente como crianças sem limites que quase destroem a casa e sentem-se injustiçadas se são postas de castigo por isso. São pessoas que exigem ser tratadas como adultos, mas comportam-se como crianças mimadas e não admitem serem orientadas ou repreendidas. Não são capazes de relacionar o efeito à causa.
De maneira bem direta:
Quer receber aposentadoria? Contribua com a previdência (pública e/ou privada)!
Quer andar de carro? Ponha gasolina e mantenha o carro e a documentação em dia!
Quer ver um filme no cinema? Compre o ingresso e respeite as demais pessoas do local!
Vai atravessar a rua? Atravesse NA FAIXA, ESPERE o semáforo abrir (se houver um) e olhe PARA OS DOIS LADOS AAANTEEES de pisar na pista!
Posso passar dias aqui colocando outros exemplos, mas em todos eles teremos algo em comum: os DEVERES sempre vêm ANTES dos direitos. É necessário criar um "crédito" para poder "usá-lo" depois, senão a coisa não funciona, não se sustenta.
Então bicho, antes de levantar faixas e cartazes com palavras de ordem, seja honesto consigo mesmo (porque eu mesmo não vou dar a mínima, a não ser que seja diretamente afetado) e certifique-se de ter exercido seus deveres antes de exigir seus direitos. Ou não reclame se for repreendido(a) ou receber um tratamento adequado a crianças mimadas.
E cuidado com os "rinocerontes enfurecidos"! Hehehehe...
Esse blog nasceu (originalmente com outro nome) com a finalidade de discursar e (eventualmente) debater sobre as peculiaridades da convivência em sociedade. Entao, bicho... Senta aí, pega uma bebida e vamos ver como a banda toca!
sábado, 14 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Rápido, Bonito ou Barato
Estava fazendo uma "limpa" para arrumar espaço para alguns livros e me deparei com estas preciosidades da foto.
Confesso que fiz uma viagem no tempo e, deste acervo, o que me deixou mais saudoso foram "Clipper 5.2d" e o "Norton Guide".
Todos foram devidamente copiados há alguns anos, mas mantive os disquetes pelo seu valor sentimental. Como não consigo imaginar sequer a possibilidade de encontrar um leitor de disquetes, seus "corpos" serão "doados" para estudos da balística do tiro com arco. Até tenho um disk-drive na minha caixa de "sucata tecnológica", mas duvido que funcione...
Mas uma coisa que me veio à cabeça neste "encontro inesperado", foi a evolução tecnológica que houve de lá para cá. Programávamos no bom e velho DOS, que nos permitia apenas uma tela de texto (eventualmente colorida) com 80 colunas e 25 linhas, 640Mb (Megabytes e não Gigabytes) de memória e, se você fosse (ou conhecesse) um programador experiente, poderia usar a memória "alta", que dava mais algus Mb para uso, mas só através de configurações muito específicas do DOS e algumas "malandragens" no código.
Não crianças, o DOS não é aquela telinha preta dentro do Windows, era um Sistema Operacional de verdade e o Windows era "somente" uma interface gráfica que rodava sobre o DOS para tornar o uso dos computadores mais acessível às pessoas "leigas" naquela época.
Por conta disso (pessoas leigas daquela época), estou partindo da premissa que pouca gente entendeu os dois parágrafos anteriores, hehehehe...
Depois de toda esta "viagem no tempo", minha reflexão foi justamente esta: hoje em dia, mesmo pessoas da área de TI, mais especificamente "programadores" (já já vocês vão entender as aspas), também não fazem idéia do que estou falando!
Naquela época, não tínhamos Internet, muito menos o Google. O mais próximo disso, eram as BBS's (Bulletin Board System), que funcionava mais ou menos como os fóruns de hoje: você coloca uma pergunta lá e verifica de tempos em tempos se alguém respondeu. A resposta mais comum era "estou com o mesmo problema", hehehehe...
Eram tempos de conexão discada, havia a necessidade de assinaturas de pacotes de serviços, acessos, quotas de navegação e, claro, a conta do telefone, que era o preço de uma ligação normal e que te mantinha com a linha ocupada. Ou seja, a verificação "de tempos em tempos" não era tão frequente assim...
Os desafios eram superados única e exclusivamente com conhecimento profundo das linguagens de programação disponíveis na época e a criatividade/malandragem dos programadores. E só! Era fácil separar os homens dos meninos, hehehehe...
Hoje está tudo bem mais simples. Basta colocar uma mensagem de erro no Google que recebemos milhares de respostas e em alguma delas (normalmente já na primeira página) está o detalhamento do que está acontecendo, das causas e um código de exemplo da solução.
Veja bem, não estou dizendo que isto é ruim, muito menos que não deveria ser assim, entretanto, com a inclusão digital, todo o conhecimento humano está ficando mais acessível (como deveria ser) e isto sim gera algumas preocupações. Pelo menos pra mim...
Quantas pessoas não recorrem ao YouTube para procurar instruções sobre coisas que não dominam, tais como trocar uma lâmpada da lanterna do carro ou as pastilhas de freio de uma moto? Eu mesmo fiz isso no fim do ano passado porque queria uma receita de atum com crosta de gergelim. E saiu! Confesso que o sabor ficou melhor que o aspecto, mas saiu. Como um chimpanzé treinado, segui as instruções cegamente e "deu certo" (com alguns ajustes).
E é justamente este o problema! O fato de que o conhecimento está mais acessível está solidificando uma cultura em que é mais fácil perguntar milhares de vezes do que "perder tempo" aprendendo o conceito e se aprofundando no contexto. Não há problema algum, se estivermos falando de hobbies ou simples curiosidade, mas a coisa fica grave quando falamos em profissionais que, supostamente, deveriam conhecer suas áreas de atuação. É necessário se aprofundar no assunto, no mínimo para saber se aquela informação está correta ou não! Qualquer um com um celular pode gravar um vídeo e postar aquilo como verdade absoluta hoje em dia.
Quem convive comigo sabe que faço algumas comparações extremas, para ilustrar até onde a situação pode ir. Imagine que você caia da bicicleta e, por uma eventualidade pra lá de imprevista, você sofra um tipo muito bizarro de torção ou fratura. Por ser uma situação "inédita" para o seu médico, ele procura algo parecido no YouTube e decide que tem que operar o seu tornozelo com um notebook e uma enfermeira a mais, só para dar pausa ou voltar o vídeo enquanto você está sob o efeito da anestesia na mesa de cirurgia, porque ele nunca viu uma torção dessas antes...
E aí? A solução continua sendo válida?
Vou voltar a falar de programação, mas o conceito serve para todos os aspectos da vida na Terra: se um programador "de hoje" precisa pintar uma letra "B" de azul na tela, ele vai procurar no Google como pintar a letra "B" de azul, vai encontrar um código de exemplo, vai copiá-lo e colá-lo no programa e rodar uma vez. Se funcionar de primeira, "deu certo" e não se fala mais nisso. Se não funcionar, ele vai procurar outro código e assim sucessivamente até encontrar um que funcione.
Um programador mais experiente (não vou escrever, mas pensei "mais velho", hehehehe), vai procurar como pintar uma letra "B" de azul na tela. Vai estudar o conceito e vai desenvolver uma rotina que "saiba" pintar a letra que ele quiser, da cor que quiser, sob as condições que quiser e ainda irá fazê-lo de um jeito que novas melhorias possam ser facilmente implementadas, como a letra poder piscar ou mudar de tamanho, por exemplo. Sim, EU faço desse jeito.
[disclaimer ON]
Sim, estou generalizando! Conheço programadores com pouco mais da metade da minha idade e escrevem programas que me deixam de queixo caído de tão sofisticados. Mas são a exceção que confirma a regra.
[disclaimer OFF]
Esta diferença de abordagem pode ser motivada por chavões como: "o ótimo é inimigo do bom" ou "temos que mostrar agilidade". Na minha opinião, não se justifica.
Seja do programador em não querer se aprofundar porque "o código do Google funcionou", alguma orientação "de cima pra baixo" onde a solução "tem" que ser rápida e não necessariamente estruturada e o decisor não está preocupado com o esforço necessário para arrumar esta gambiarra (ou "workaround" como alguns preferem dizer) mais tarde, caso a solução tenha que sofrer alguma variação. Ou simplesmente deu alguma merda e é preciso apagar o incêndio. Neste úlitimo caso, esta orientação vem acompanhada de uma promessa de "revisar isso depois que a coisa se acalmar". Eu mesmo já fiz esta promessa, mas me certifiquei de voltar lá e refazer o ajuste.
Todo mundo diz "antigamente as coisas eram feitas para durar, hoje é tudo descartável" (eu inclusive), mas a verdade por trás desta frase é que a nossa sociedade está preferindo o caminho mais curto e "se der algum problema, depois vê".
Tenho certeza que ocorre o mesmo em outras áreas do conhecimento, segmentos de mercado ou aspectos pessoais. Então, na minha opinião, isto mostra uma tendência de comportamento que irá se acentuar nos próximos anos.
A informação não pode ser mais valiosa que o conhecimento. Simplesmente porque desta forma, perde-se a capacidade de flexibilização, de improviso, de evolução. Não estou dizendo que isto deirxará de existir, mas é a mesma coisa que colocar rojões em um par de patins e chamar isso de propulsão à jato. Para se alterar algo que já existe, é de bom tom dominar o(s) assunto(s) em questão. E querer evoluir por "tentativa e erro" sem dominar o assunto, pode trazer consequências drásticas. Em alguns casos, TOMARA! Hehehehehe...
Estranhamente, as mesmas pessoas que defendem este estilo de vida imediatista são as que fazem ultrapassagem pelo acostamento mas reclamam do trânsito e das multas, jogam lixo nas ruas mas reclamam das enchentes, não abrem mão de lavar o carro em casa toda semana e/ou empurram papel de bala da calçada com a mangueira de água mas reclamam da escassez depois. E, por serem imediatistas, não vêem relação alguma entre a causa e o efeito.
Ou seja, além do conhecimento e da capacidade de analisar cenários e tirar conclusões, a educação e a capacidade de convivência em sociedade também estão se perdendo. E isto me parece ser uma escolha, até certo ponto, consciente.
Então bicho, é como digo quase diariamente no meu departamento:
- Rápido
- Bonito
- Barato
Escolha só DOIS e não reclame mais tarde!
PS: foi mal, não era pra ter ficado tão longo, mas os disquetes me deram muito no que pensar, hehehehe...
Confesso que fiz uma viagem no tempo e, deste acervo, o que me deixou mais saudoso foram "Clipper 5.2d" e o "Norton Guide".
Todos foram devidamente copiados há alguns anos, mas mantive os disquetes pelo seu valor sentimental. Como não consigo imaginar sequer a possibilidade de encontrar um leitor de disquetes, seus "corpos" serão "doados" para estudos da balística do tiro com arco. Até tenho um disk-drive na minha caixa de "sucata tecnológica", mas duvido que funcione...
Mas uma coisa que me veio à cabeça neste "encontro inesperado", foi a evolução tecnológica que houve de lá para cá. Programávamos no bom e velho DOS, que nos permitia apenas uma tela de texto (eventualmente colorida) com 80 colunas e 25 linhas, 640Mb (Megabytes e não Gigabytes) de memória e, se você fosse (ou conhecesse) um programador experiente, poderia usar a memória "alta", que dava mais algus Mb para uso, mas só através de configurações muito específicas do DOS e algumas "malandragens" no código.
Não crianças, o DOS não é aquela telinha preta dentro do Windows, era um Sistema Operacional de verdade e o Windows era "somente" uma interface gráfica que rodava sobre o DOS para tornar o uso dos computadores mais acessível às pessoas "leigas" naquela época.
Por conta disso (pessoas leigas daquela época), estou partindo da premissa que pouca gente entendeu os dois parágrafos anteriores, hehehehe...
Depois de toda esta "viagem no tempo", minha reflexão foi justamente esta: hoje em dia, mesmo pessoas da área de TI, mais especificamente "programadores" (já já vocês vão entender as aspas), também não fazem idéia do que estou falando!
Naquela época, não tínhamos Internet, muito menos o Google. O mais próximo disso, eram as BBS's (Bulletin Board System), que funcionava mais ou menos como os fóruns de hoje: você coloca uma pergunta lá e verifica de tempos em tempos se alguém respondeu. A resposta mais comum era "estou com o mesmo problema", hehehehe...
Eram tempos de conexão discada, havia a necessidade de assinaturas de pacotes de serviços, acessos, quotas de navegação e, claro, a conta do telefone, que era o preço de uma ligação normal e que te mantinha com a linha ocupada. Ou seja, a verificação "de tempos em tempos" não era tão frequente assim...
Os desafios eram superados única e exclusivamente com conhecimento profundo das linguagens de programação disponíveis na época e a criatividade/malandragem dos programadores. E só! Era fácil separar os homens dos meninos, hehehehe...
Hoje está tudo bem mais simples. Basta colocar uma mensagem de erro no Google que recebemos milhares de respostas e em alguma delas (normalmente já na primeira página) está o detalhamento do que está acontecendo, das causas e um código de exemplo da solução.
Veja bem, não estou dizendo que isto é ruim, muito menos que não deveria ser assim, entretanto, com a inclusão digital, todo o conhecimento humano está ficando mais acessível (como deveria ser) e isto sim gera algumas preocupações. Pelo menos pra mim...
Quantas pessoas não recorrem ao YouTube para procurar instruções sobre coisas que não dominam, tais como trocar uma lâmpada da lanterna do carro ou as pastilhas de freio de uma moto? Eu mesmo fiz isso no fim do ano passado porque queria uma receita de atum com crosta de gergelim. E saiu! Confesso que o sabor ficou melhor que o aspecto, mas saiu. Como um chimpanzé treinado, segui as instruções cegamente e "deu certo" (com alguns ajustes).
E é justamente este o problema! O fato de que o conhecimento está mais acessível está solidificando uma cultura em que é mais fácil perguntar milhares de vezes do que "perder tempo" aprendendo o conceito e se aprofundando no contexto. Não há problema algum, se estivermos falando de hobbies ou simples curiosidade, mas a coisa fica grave quando falamos em profissionais que, supostamente, deveriam conhecer suas áreas de atuação. É necessário se aprofundar no assunto, no mínimo para saber se aquela informação está correta ou não! Qualquer um com um celular pode gravar um vídeo e postar aquilo como verdade absoluta hoje em dia.
Quem convive comigo sabe que faço algumas comparações extremas, para ilustrar até onde a situação pode ir. Imagine que você caia da bicicleta e, por uma eventualidade pra lá de imprevista, você sofra um tipo muito bizarro de torção ou fratura. Por ser uma situação "inédita" para o seu médico, ele procura algo parecido no YouTube e decide que tem que operar o seu tornozelo com um notebook e uma enfermeira a mais, só para dar pausa ou voltar o vídeo enquanto você está sob o efeito da anestesia na mesa de cirurgia, porque ele nunca viu uma torção dessas antes...
E aí? A solução continua sendo válida?
Vou voltar a falar de programação, mas o conceito serve para todos os aspectos da vida na Terra: se um programador "de hoje" precisa pintar uma letra "B" de azul na tela, ele vai procurar no Google como pintar a letra "B" de azul, vai encontrar um código de exemplo, vai copiá-lo e colá-lo no programa e rodar uma vez. Se funcionar de primeira, "deu certo" e não se fala mais nisso. Se não funcionar, ele vai procurar outro código e assim sucessivamente até encontrar um que funcione.
Um programador mais experiente (não vou escrever, mas pensei "mais velho", hehehehe), vai procurar como pintar uma letra "B" de azul na tela. Vai estudar o conceito e vai desenvolver uma rotina que "saiba" pintar a letra que ele quiser, da cor que quiser, sob as condições que quiser e ainda irá fazê-lo de um jeito que novas melhorias possam ser facilmente implementadas, como a letra poder piscar ou mudar de tamanho, por exemplo. Sim, EU faço desse jeito.
[disclaimer ON]
Sim, estou generalizando! Conheço programadores com pouco mais da metade da minha idade e escrevem programas que me deixam de queixo caído de tão sofisticados. Mas são a exceção que confirma a regra.
[disclaimer OFF]
Esta diferença de abordagem pode ser motivada por chavões como: "o ótimo é inimigo do bom" ou "temos que mostrar agilidade". Na minha opinião, não se justifica.
Seja do programador em não querer se aprofundar porque "o código do Google funcionou", alguma orientação "de cima pra baixo" onde a solução "tem" que ser rápida e não necessariamente estruturada e o decisor não está preocupado com o esforço necessário para arrumar esta gambiarra (ou "workaround" como alguns preferem dizer) mais tarde, caso a solução tenha que sofrer alguma variação. Ou simplesmente deu alguma merda e é preciso apagar o incêndio. Neste úlitimo caso, esta orientação vem acompanhada de uma promessa de "revisar isso depois que a coisa se acalmar". Eu mesmo já fiz esta promessa, mas me certifiquei de voltar lá e refazer o ajuste.
Todo mundo diz "antigamente as coisas eram feitas para durar, hoje é tudo descartável" (eu inclusive), mas a verdade por trás desta frase é que a nossa sociedade está preferindo o caminho mais curto e "se der algum problema, depois vê".
Tenho certeza que ocorre o mesmo em outras áreas do conhecimento, segmentos de mercado ou aspectos pessoais. Então, na minha opinião, isto mostra uma tendência de comportamento que irá se acentuar nos próximos anos.
A informação não pode ser mais valiosa que o conhecimento. Simplesmente porque desta forma, perde-se a capacidade de flexibilização, de improviso, de evolução. Não estou dizendo que isto deirxará de existir, mas é a mesma coisa que colocar rojões em um par de patins e chamar isso de propulsão à jato. Para se alterar algo que já existe, é de bom tom dominar o(s) assunto(s) em questão. E querer evoluir por "tentativa e erro" sem dominar o assunto, pode trazer consequências drásticas. Em alguns casos, TOMARA! Hehehehehe...
Estranhamente, as mesmas pessoas que defendem este estilo de vida imediatista são as que fazem ultrapassagem pelo acostamento mas reclamam do trânsito e das multas, jogam lixo nas ruas mas reclamam das enchentes, não abrem mão de lavar o carro em casa toda semana e/ou empurram papel de bala da calçada com a mangueira de água mas reclamam da escassez depois. E, por serem imediatistas, não vêem relação alguma entre a causa e o efeito.
Ou seja, além do conhecimento e da capacidade de analisar cenários e tirar conclusões, a educação e a capacidade de convivência em sociedade também estão se perdendo. E isto me parece ser uma escolha, até certo ponto, consciente.
Então bicho, é como digo quase diariamente no meu departamento:
- Rápido
- Bonito
- Barato
Escolha só DOIS e não reclame mais tarde!
PS: foi mal, não era pra ter ficado tão longo, mas os disquetes me deram muito no que pensar, hehehehe...
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