sábado, 14 de fevereiro de 2015

Você tem seus direitos!

Não vou lembrar exatamente quando, mas foi na segunda metade da década de 90 que isso começou.

Como um rinoceronte enfurecido, de cabeça baixa e certo de não ser detido por nada em seu caminho, surgiu um sentimento coletivo e cego de "busca pelos seus direitos".

Este é um termo que me provoca arrepios e nós nas tripas toda vez que ouço.

Veja bem, jamais serei contra o exercício dos direitos de quem quer que seja, mas, o que quase ninguém se lembra é que, ANTES dos direitos, vêm os DEVERES.

E é aí que a coisa fede...

Esta busca desenfreada, em geral, é conduzida sem esta preocupação. Normalmente esta atitude vem acompanhada de um "estou pagando" ou algo equivalente, que supostamente deveria isentar na íntegra a pessoa que se sente "prejudicada", da responsabilidade de respeitar as demais pessoas que se encontram na mesma situação ou no mesmo ambiente (filas, cinemas, restaurantes e estacionamentos são excelentes fontes de exemplos).

Existem também as pessoas que estão mais preocupadas em ter razão e "exigir seus direitos" do que com a sua própria integridade física, tal como a horda de pedestres suicidas que não tira os olhos de seus celulares e "se atiram" nas ruas e avenidas, só porque uma campanha mal-feita disse que o pedestre tem prioridade na travessia. E dane-se o fato que o pedestre, mesmo com a tal da preferência DEVE atravessar nas faixas, aguardar pelo semáforo (quando este existir) ou ainda a ingrata Física, que exige que os veículos precisem de um espaço mínimo para que possam frear sem atropelar o "gado-zumbi"!

Nem mesmo todas as legislações vigentes são capazes de se sobrepor às leis da Física e do bom-senso. Aparentemente, a "busca pelos direitos" tem mais valor ser for em oposição a estas leis. De preferência, em oposição às duas simultaneamente. O que importa é ter razão, nem que seja em um leito de hospital ou no cemitério. E aí entram em ação os advogados oportunistas, especialistas nestes "direitos" e nas respectivas "indenizações cabíveis"...

Pode parecer simples (e um tema recorrente neste blog), mas a origem disso tudo é a falta de interação com as pessoas ao lado e do pensamento coletivo. Simples assim.

Em outro post falo sobre o conhecimento cada vez mais "raso" da humanidade em função do mau uso e da facilidade de acesso à informação.

Vou dar um exemplo pessoal: quando o Código Nacional de Trânsito foi alterado, logo no começo do texto estava escrito "o direito de ir e vir é relativo". Pulei do sofá com um sonoro "Filhadaputa! Quem vocês pensam que são?". Logo em seguida veio a explicação: "por exemplo, não se pode alegar o direito de ir e vir para dirigir pela contra mão ou pelas calçadas". Sentei-me imediatamente e pensei (calado, claro): "é verdade... Mas isso é óbvio!".

Esta "busca pelos direitos", da maneira com o ocorre hoje em dia, segue o mesmo paradigma de um outro comportamento que também vem se propagando e se agravando de uns anos para cá: novas religiões/igrejas (algumas sérias e bem-intencionadas, mas boa parte nem tanto), são conduzidas por "líderes" que citam passagens bíblicas com livros, capítulos, versículos completamente aleatórios, com a certeza que ninguém irá verificar. E normalmente não vão mesmo, porque questionar a palavra do "líder" é uma blasfêmia!

A similaridade do "direito" com a "religião" (por favor, note as aspas) está em "pinçar" frases, passagens de livros sagrados, leis ou decretos, tirá-las do seu contexto original e usar isso para justificar algo (normalmente já injustificável desde o início).

Na minha opinião, trata-se pura e simplesmente de falta de caráter e/ou de maturidade. Exatamente como crianças sem limites que quase destroem a casa e sentem-se injustiçadas se são postas de castigo por isso. São pessoas que exigem ser tratadas como adultos, mas comportam-se como crianças mimadas e não admitem serem orientadas ou repreendidas. Não são capazes de relacionar o efeito à causa.

De maneira bem direta:
Quer receber aposentadoria? Contribua com a previdência (pública e/ou privada)!
Quer andar de carro? Ponha gasolina e mantenha o carro e a documentação em dia!
Quer ver um filme no cinema? Compre o ingresso e respeite as demais pessoas do local!
Vai atravessar a rua? Atravesse NA FAIXA, ESPERE o semáforo abrir (se houver um) e olhe PARA OS DOIS LADOS AAANTEEES de pisar na pista!

Posso passar dias aqui colocando outros exemplos, mas em todos eles teremos algo em comum: os DEVERES sempre vêm ANTES dos direitos. É necessário criar um "crédito" para poder "usá-lo" depois, senão a coisa não funciona, não se sustenta.

Então bicho, antes de levantar faixas e cartazes com palavras de ordem, seja honesto consigo mesmo (porque eu mesmo não vou dar a mínima, a não ser que seja diretamente afetado) e certifique-se de ter exercido seus deveres antes de exigir seus direitos. Ou não reclame se for repreendido(a) ou receber um tratamento adequado a crianças mimadas.

E cuidado com os "rinocerontes enfurecidos"! Hehehehe...